CULTURA

TOMAR – Rancho Folclórico de Etnográfico de Alviobeira celebrou 38 anos com ‘Travessias’

O mês de Abril é o “més do Rancho” de Alviobeira, que promove  “iniciativas mil”. Depois do Festival das Sopas, do Festival de Folclore, registo para a noite de “Gala”, que decorreu no recente 24 de Abril, altura em que o Salão do Centro estava lotado. Todos os anos, desde que o Rancho foi mais além do que o seu festival de folclore, Manuela Santos, a diretora técnica, tem colocado este espectáculo num “fasquia tão alta”, perto do nível dos grandes encenadores, que contam com outros meios e outros apoios. Rígida nos treinos, tem um trabalho hercúleo de escrever os textos e encenar. Depois de ter escolhido o tema, preparado o guarda roupa, endereços, enfim um trabalho que grandes grupos levam meses. Nada dada a protocolos, nada mesmo, pois até os convidados oficiais nem lugar reservado tiveram,  o seu foco é o palco, só o palco, e transmitir a magia de nos fazer viajar, sorrir, por vezes chorar, dar gargalhadas e pensar. A mensagem está lá, no palco. “Travessias” é um tema que nos toca a todos, num país de emigrantes que, no antes de 25 de Abril – onde faltava o trabalho – os jovens iam obrigados defender as “nossas províncias ultramarinas” numa Guerra Colonial; os intelectuais e homens das letras se exilavam em França, ou seja a “emigração” dos anos 60-80 do século XX foi uma forma de sair de Portugal, clandestinamente, por essa Europa, apostar no desconhecido e vencer… Hoje, a emigração deve ser reconhecida como uma riqueza bem como a “imigração” dos dias de hoje, dos que vêm para Portugal fazer o que os portugueses décadas antes o tinham feito. Os diálogos afrancesados dos “aveques”, a vinda de férias ou “vacances” fizeram-nos soltar gargalhadas, as canções de “Linda de Susa” e outros músicos que as cantaram relativas à saudade. Menos bem, o foco no regresso dos “espoliados do Ultramar” os “retornados à sua pátria” depois dos movimentos de Independência os terem obrigado a sair ” muitos só com pouco mais que uns caixotes de pertences” à sua terra, sem esquecer que muitos de Guiné, Angola, Moçambique S. Tomé e Cabo Verde já tinham nascido fora de Portugal, mas eram portugueses. Em duas horas – e depois de mais de 10 mudanças de roupa – os elementos do rancho proporcionaram momentos de cultura: saber representar, postura, onde estiveram desde crianças de 4 anos a elementos com 60 e mais. António Freitas