TOMAR – Rancho de Alviobeira revive a tradição do “cantar dos reis”

TOMAR – Rancho de Alviobeira revive a tradição do “cantar dos reis”

O cantar dos reis ou reisadas é uma tradição secular portuguesa celebrada por volta do dia de Reis. Nesta, um grupo de populares, chamados de “reiseiros”, tocam e cantam às portas das casas, invocando a celebração da visita dos três Reis Magos para pedir esmolas e donativos. É muito semelhante à tradição das janeiras, que usa como pretexto o ano-novo. No sul no Algarve denominam-se as “charolas” e esta tradição também é bem patente nas nossas ilhas dos Açores e Madeira. A tradição não é exclusiva de Portugal, existindo paralelos um pouco por toda a Europa, como os “cantores da estrela”. Até aos anos 70 era usual haver vários grupos de cada aldeia que andavam desde o Ano Novo ao Dia de Reis numa roda viva cantando os reis e a letra e música tem características diferentes de aldeia para aldeia. Esta tradição entrou em desuso e foi graças aos Ranchos Folclóricos e Etnográficos que hoje está bem viva e houve anos que eram organizados grupos de reiseiros na Praça da República em Tomar. No concelho de Tomar, alguns ranchos e grupos musicais mantem viva a tradição e ainda bem. Em Alviobeira há uns anos a esta parte o Rancho Etnografico não deixa de reviver esta tradição. É uma forma de ir de aldeia em aldeia, no que era a então freguesia de Alviobeira, e certamente por falta de tempo não vão aos lugares da que é hoje a União de Freguesias de Casais/Alviobeira, já que destinaram o dia 4-5- e 6 para ir à Manobra, Alviobeira (casa a casa) Ceras, na Associação Estaminé, em Portela de Vila Verde e na Benfica, ao Chão das Eiras e Freixo este ano, ao Lar de Areias, onde estão alguns idosos da freguesia e outros anos ao Lar da Igreja Nova que também nos dá apoio. Com cantigas dos Reis e ao Menino, criam-se assim momentos de convívio fraterno, calor humano e há sempre uns velhoses, um bolo rei, um copo de licor, um café quentinho e um chá e o pedido de voltem para o ano. Registe-se este ano em Alviobeira, um momento com muito significado, em que na lareira bem antiga do natural e morador com mais idade da freguesia, o Augusto dos Santos, que a 7 de Fevereiro completará 93 anos e que é um grande contador de histórias, com uma memória de factos passados em Alviobeira dignos de registo, como o jogar ao pau a começar no cimo da Rua do Comércio e acabar no Largo do Coval, “mas a sério”, que nos lembra gente que aqui viveu e que também cantou os reis, que viu a sua “cozinha do lume”, “invadida” por cerca de 20 e tal jovens e que adorou esta visita e que para o ano promete dar uma recepção à rapaziada, com algum petisco das caçadas que ainda faz, com tiro bem certeiro. São estes momentos que marcam, como a alegria estampada nos rostos dos que nos Lares, ao ouvirem a música a sua memória viaja para tempos idos que não voltam mais. António Freitas