TOMAR – Depois de dois anos sem festa, o festival Bons Sons...

TOMAR – Depois de dois anos sem festa, o festival Bons Sons está de regresso

Depois de dois anos de ausência, o BONS SONS está de volta, de 12 a 15 de agosto, em Cem Soldos. É altura de habitar a rua. Nesta 11.ª edição, as ruas, as praças, os largos e as esquinas ganham uma nova vida e continua uma jornada de pensamento e ação sobre os dez pontos do Manifesto BONS SONS, que se materializou em 2019. Onze edições, 15 anos, 1 aldeia em manifesto e mais de 50 atuações musicais, entre concertos, live acts e DJ sets. Há vários concertos nas ruas de Cem Soldos. E do palco para as ruas vão também as bandas programadas pela MPAGDP (Música Portuguesa A Gostar Dela Própria), ganhando uma dimensão mais autêntica e mais próxima das pessoas. Há ainda uma programação paralela que contempla as artes performativas, o cinema e muito mais.

  • Palco Lopes-Graça: Acácia Maior, Marta Ren, Cassete Pirata, Cabrita, Terra Livre, Sebastião Antunes & Quadrilha, Lena d’Água
  • Palco Zeca Afonso: Rita Vian, André Henriques, Aldina Duarte, Siricaia, Rui Reininho, André Júlio Turquesa, B Fachada
  • Palco António Variações: Motherflutters, GROGNation, David Bruno, Pluto, Criatura & O Coro dos Anjos, 5.ª Punkada, Bateu Matou
  • Na Rua (Portal da Igreja): OMIRI, Porbatuka Almada, Grupo de Gaitas da Golegã, Cantadeiras do Vale do Neiva
  • Palco Giacometti-INATEL: Cancro, Niki Moss, Bia Maria, Sunflowers, A Garota Não, Fado Bicha, Tyroliro
  • Palco Aguardela: José Pinhal Post-Mortem Experience, DJ A Boy Named Sue, Neon Soho, António Bandeiras, DJ Kitten, RIVA e convidados
  • Palco Carlos Paredes: Manel Ferreira, Violeta Azevedo, Fernando Mota, PHOLE
  • MPAGDP (Rua do Pombal): Peixinhos da Horta, Toy e Emanuel, João Francisco, MaZela
  • Palco Campismo: El Señor, Nuno Calado (DJ set)
  • ARTES PERFORMATIVAS

    A parceria entre o Festival Materiais Diversos e o BONS SONS renova-se para potenciar o conhecimento e experiência das duas e formar esta simbiose entre música e artes performativas que dá origem a um programa composto por dois espetáculos.

    #3 Movediço, de Marta Cerqueira e Simão Costa, é sobre o que se move, o que muda de lugar, o que é inconstante, o que não está fixo. Procura olhar sobre tempos geológicos longos e uma assunção da espécie humana como uma força geofísica à escala planetária. Põe em marcha uma reflexão sobre a nossa relação com outros seres do universo, sejam animais, vegetais ou minerais, especulando sobre quem se move ou é movido. 12 agosto — Auditório Agostinho da Silva

    a besta, as luas, de Elizabete Francisca, propõe-se enunciar, através de gestos e sons, uma representação possível da geografia política de um corpo não submisso. Num momento onde tantos corpos e tantas vozes dificilmente podem existir, é urgente reivindicar um lugar de resistência, transformando possíveis fragilidades em flechas e potências. O corpo como arma política, o último reduto de qualquer experiência, um grito. De afirmação de uma individualidade, em reconciliação com a sua identidade e sexualidade: do sexo à cabeça, da cabeça ao cosmos, do cosmos ao chão. Um possível mantra para me manter em desequilíbrio. 13 agosto — Auditório Agostinho da Silva

    SESSÕES DE CURTAS METRAGENS
    Este ano, a mostra de cinema itinerante de língua oficial portuguesa Curtas em Flagrante regressa ao BONS SONS com quatro sessões: duas para adultos e duas para crianças. 14 e 15 agosto — Auditório Agostinho da Silva

    OFICINA DE TAUMATRÓPIOS
    Ainda relacionado com o Curtas em Flagrante, há uma Oficina de Taumatrópios (brinquedos óticos), onde se explora o conceito de frame e vão construir-se brinquedos óticos. 13 agosto — Sala Terra (mediante inscrição no Posto de Informação)

    DISPERSOS PELO CENTRO, DE ANTÓNIO ALEIXO
    Tiago Pereira convida o geógrafo e autor Álvaro Domingues para uma viagem pelas Terras da Chanfana. Este documentário (2021) retrata um presente sem a presunção de adivinhar o seu futuro nem o saudosismo de um passado ido, debruçando-se sobre a questão do que é o território. 15 agosto — Auditório Agostinho da Silva

    OPERÁRIOS DA CULTURA
    Operários da Cultura é uma exposição coletiva que regista a aldeia, as pessoas e as montagens que acontecem em Cem Soldos nos dias que antecedem a realização do BONS SONS 2022. Isto acontece pelo olhar do fotógrafo João Gigante, com o projeto “viste?” e também com materiais realizados pela equipa do festival, com áudio e vídeo de conversas captadas na aldeia sobre e a propósito do regresso do BONS SONS, após dois anos de paragem. Com esta exposição, é dado também a conhecer um novo espaço do festival: a Casa Sem Tecto Amália. 12–15 agosto — Casa Sem Tecto Amália

    OLHAR A RUA
    Habitar a Rua é o mote que serve o pensamento por trás da edição do BONS SONS desde 2020. No verão desse ano, a equipa de comunicação do festival organiza uma oficina com a comunidade de Cem Soldos, que procurava ser um ponto de partida para a imagem do eventual festival de 2021. Caminhou-se pelas ruas da aldeia, em busca de sombras. Dedicando o olhar a como habitavam o espaço, e capturando-as num conjunto de colagens, registadas pelo sol em cianotipias. Aqui, mostra-se a origem da imagem gráfica do BONS SONS 2022. 12–15 agosto — Sala Terra

    Olhar a Rua © Gonçalo Fialho
    PERCURSOS

    PERCURSO SONORO
    CEM SOLDOS PARA ALÉM DO BONS SONS
    Dando a conhecer o lado menos visível do festival e da aldeia, Ana Bento e Bruno Pinto convidam os visitantes a fazerem um percurso sonoro, munidos de auscultadores. Cem Soldos para Além do BONS SONS é uma viagem por entre as pedras, os canteiros e as portas que contaminam e se deixam contaminar pelo BONS SONS para revelar as histórias escondidas por entre a História e desvendar os segredos de quem habita no local o ano inteiro. 12–15 agosto — Ruas da aldeia (mediante inscrição no Posto de Informação)

    PERCURSOS INTERPRETATIVOS DA BIODIVERSIDADE
    Em parceria com a 30POR1LINHA – Associação Sociocultural e Ambiental, realizam-se percursos que proporcionam a descoberta do património natural de Cem Soldos através de uma incursão por diversos locais da aldeia identificando a fauna e flora que se vai revelando a cada passo. Uma forma de proporcionar a descoberta da biodiversidade, bem como o enriquecimento educativo de comunidades relativamente ao património natural da região. 13, 14, 15 agosto — Ruas da aldeia (mediante inscrição no Posto de Informação)

    Percursos Interpretativos da Biodiversidade © Iolanda Pereira
    CONVERSAS E DEBATES
    O Gerador — plataforma independente de jornalismo, cultura e educação – traz ao BONS SONS duas conversas onde as comunidades e os territórios do interior estão no centro do debate, com moderação de Ana Catarina Veiga.

    Na primeira conversa – Como pode a arte fazer parte do dia-a-dia das comunidades? – estarão presentes artistas e representantes de associações que se fixam no interior e que desenvolvem projetos com a participação da comunidade local. Discute-se a arte participativa como espaço democrático que permite descobrir, processar, compreender, organizar e partilhar experiências com João Ferreira, da Associação Cultural CISMA, que trabalha pelo desenvolvimento da comunidade artística da cidade da Covilhã, Ana Vulcão, coordenadora e co-programadora do Festival Pé na Terra que cria um intercâmbio entre grupos e artistas de países de língua oficial portuguesa, e o músico Edgar Valente, que faz parte de diversos projetos artísticos. 14 agosto — Largo do Rossio

    A segunda conversa, O Cinema como Fator de Valorização do Território – Êxodo Urbano: estará a tecnologia a permitir uma reaproximação cultural entre o litoral e o interior do país?, junta Tiago Pereira, mentor de A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (MPAGDP), António Aleixo, realizador do filme Dispersos pelo Centro, e Luísa Pinto, responsável pelo projeto Rostos da Aldeia que, desde 2021, vem cartografando histórias de resistência ao despovoamento, no interior do país. Portugal tornou-se, nos últimos anos, um dos lugares preferidos dos chamados “nómadas digitais” e o centro de Portugal tem atraído não só portugueses como estrangeiros, que estão a repovoar um interior desertificado. Por que cada vez mais trabalhadores e artistas decidem fugir das cidades para o interior do país? Estará a tecnologia a promover uma maior coesão territorial e social, através de uma maior troca cultural entre o interior e o litoral do país? Como esta dinâmica se reflete numa maior visibilidade do interior na política nacional? 15 agosto — Largo do Rossio

    Jogos do Helder © Carlos Manuel Martins
    PARA TODA A FAMÍLIA
    Como todos os anos, o BONS SONS não seria o mesmo se não oferecesse uma grande quantidade de espetáculos e atividades divertidas para crianças e famílias.

    AVÓS – HISTÓRIAS GERMINADAS NO QUINTAL
    O Quintal dos Avós é fértil em histórias, histórias esquecidas nas nossas memórias de infância e na memória das pessoas mais velhas. Neste quintal, as autoras Catarina Mota e Graça Ochoa apresentam dois espetáculos para todas as idades que nos ajudam a responder como olhamos hoje para as histórias de vida dos nossos avós. Abriram-se gavetas, baús, álbuns de fotos, que andavam para lá esquecidos em qualquer canto do quintal.

    HISTÓRIA DE UM ESTENDAL E DE UMA AVÓ QUE NÃO SABIA LER
    Esta História de um Estendal e de uma Avó que Não Sabia Ler, de Catarina Mota, tem como ponto de partida o olhar de uma criança. Uma história particular de uma janela com estendal e de uma avó. Uma história transversal de muitas realidades contada de forma simples e fantasiosa. 12 e 13 agosto — Canto das Histórias

    A AVÓ QUE NÃO FOI AVÓ
    Em A Avó que não foi Avó, de Graça Ochoa, esperamos alguém especial para jantar. Tudo tem de estar a preceito! Enquanto é preparada a mesa, as conversas vão-se encadeando umas nas outras, como as cerejas. Desafiamo-nos a moldar novas tradições… reparamos que o tempo passou. 12 e 13 agosto — Canto das Histórias

    CONTOS E LENGA LENDAS
    Contos e Lenga Lendas, de Gil Dionísio, é uma série de concertos e gravações para todas as idades. Concertos para violino e contos cantados. Melodias, cantigas e lenga lendas criadas a partir dos muitos mundos de Dionísio. Cada peça um conto, cada conto uma história para um corpo que se quer vivo. E para cada história surgem canções, sinfonias e sons para um violino que bebe de uma música clássica que não quer ser antiga, da música tradicional um pouco de todo o mundo e de um jazz quase esquecido: inspirado na ideia do solo, do solista e das histórias que se contam quando não há rede. Contos em malabarismo e histórias que aparecem, sempre, quando menos se espera. 14 e 15 agosto — Canto das Histórias

    RÁDIO MIÚDOS
    Pela primeira vez no BONS SONS, a Rádio Miúdos (radiomiudos.pt) – que comemora este ano o sétimo ano de emissões regulares online a partir do Bombarral para mais de 140 países – leva o seu estúdio móvel para o festival. Uma equipa de miúdos e miúdas de Cem Soldos será formada para fazer a animação do festival, realizando entrevistas, reportagens e divulgando a música portuguesa e convidam outras crianças que estão no festival para se juntarem no estúdio. Uma rádio de miúdos para miúdos, à volta da língua portuguesa e com uma programação exclusivamente lusófona. 12–15 agosto — Largo do Rossio

    CURRAL
    A Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA) marca presença no Curral do BONS SONS para dar a conhecer o grande amigo que pode ser o Burro de Miranda, animal já muito pouco visto e usado em trabalhos rurais. Única no nosso país, esta raça é dócil e o burro dá um ótimo professor, guia e terapeuta. Não há família que não goste de conhecer este animal tão especial. Este ano, há a Aula do Burro, o Passeio com Burros e o Jogo do Burro. 12–15 agosto — Curral

    JOGOS DO HELDER
    Os Jogos do Helder estão de volta, com brincadeiras e um circuito refrescante pela aldeia. Inspirados em jogos tradicionais de diversas regiões, em tradições ou até mesmo em experiências científicas, desenvolvem competências pessoais e sociais de uma forma divertida. Se para algumas pessoas trazem memórias de outros tempos, a outras provocam vontade de explorar o desconhecido. 12–15 agosto — Ruas da aldeia

    MÚSICA PARA BEBÉS E CRIANÇAS
    Sessões para bebés e crianças, desde recém-nascidos aos 5 anos, onde professores, em conjunto com instrumentistas, proporcionam um ambiente musical variado, onde bebés e crianças são estimuladas a ouvir, a cantar, a improvisar e a utilizar a sua percussão corporal em diferentes modos e métricas variadas. Participam alunos da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais e do Conservatório de Artes Canto Firme, de Tomar. O professor Pedro Sousa dinamiza também um Atelier de Instrumentos Musicais Tradicionais Portugueses, para crianças dos 6 aos 12 anos, em que podem experimentar os diferentes instrumentos tradicionais portugueses em modo mini orquestra, através de algumas técnicas dos vários instrumentos e canções tradicionais portuguesas. 12–15 agosto — Armazém (mediante inscrição no Posto de Informação)

    CAIXAS VEM VIVER A ALDEIA
    Através de tecnologia de captação 360º, a aldeia de Cem Soldos foi filmada em vários momentos e eventos ao longo de um ano – uma viagem às tradições e iniciativas que ocupam o espaço público da aldeia quando o BONS SONS está por chegar e que pode ser descoberto através de quatro caixas estrategicamente distribuídas pela aldeia. 12–15 agosto — Ruas da aldeia

    ESPAÇO CRIANÇA
    O BONS SONS proporciona ainda o Espaço Criança, que conta com algumas atividades diárias como jogos, trabalhos manuais, brincadeiras, ginástica, entre muitas outras. Este local tem também disponível uma zona de fraldário, um serviço de babysitting e de aluguer de auriculares infantis. 12–15 agosto — Espaço Criança

    A pensar em quem privilegia ambientes tranquilos e nas famílias, este ano, a zona de campismo (de acesso gratuito aos portadores de passe geral) terá uma zona reservada que convida ao sossego e ao silêncio.