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TOMAR – A urgência do Conselho Local de Saúde Mental

Hoje o tema da saúde mental está no centro das preocupações de dirigentes, técnicos, associações e comunidades, quer no país, quer no Médio Tejo, pois aqui há um envelhecimento da população, um isolamento social, uma precaridade laboral, e dificuldades de acesso a cuidados de saúde em algumas especialidades.

Devido à sua urgência, a comunicação social aborda muito os problemas da ansiedade, depressão, stress, burnout e outras perturbações mentais, mas não basta trazer estas matérias à reflexão nacional, já que é preciso organizar respostas locais eficazes para satisfazer as necessidades das populações.

Nos últimos anos, o país evoluiu bastante com o Plano Nacional de Saúde Mental e também com a aposta descentralizada destes cuidados de saúde, e no âmbito da ULS do Médio Tejo, os Serviços de Psiquiatria integraram o projeto piloto nacional para constituir o Centro de Responsabilidade Integrada em Saúde Mental.

Na ULS-MT, os cuidados de Saúde Mental estão centralizados no Hospital de Tomar, e têm quatro equipas a desenvolver consultas na comunidade, que realizam um trabalho notável de proximidade aos utentes, o qual já foi premiado e obteve o reconhecimento dos pares de outros Hospitais e da Coordenação Nacional das políticas de saúde.

A Saúde Mental da ULS-MT alcançou relevância e prestigio à escala nacional e regional e, por isso, a autarquia de Tomar, as unidades de saúde, as IPSS, os atores educativos, as forças de segurança, as associações juvenis e de utentes devem assumir um papel liderante neste processo, criando um órgão fundamental: o Conselho Local de Saúde Mental (CLSM).

Tomar é dos poucos municípios da região que não tem instalado o CLSM, o qual poderá identificar as freguesias com mais disfunções psicológicas, dinamizar campanhas de literacia em saúde mental, agilizar o encaminhamento de doentes entre instituições, promover candidaturas a financiamentos nacionais e europeus, entre outras atribuições.

Por isso, é urgente avançar com o CLSM de Tomar, que não resolverá todos os problemas de saúde mental, mas será o ponto de partida para uma comunidade mais humanizada, pois ajudará no bem-estar psicológico de jovens, idosos e famílias, evitando que uns estejam “perdidos” nas suas angústias, outros perturbados no seu isolamento, e as famílias intranquilas pelas respostas das instituições sociais e de saúde.                                                                                                                                                                                               

                                                                                                                                 José Rogério