MÉDIO TEJO – Até Junho houve registo para 539 visitas domiciliárias do...

MÉDIO TEJO – Até Junho houve registo para 539 visitas domiciliárias do Serviço de Psiquiatria… num aumento de 30% face a igual período do ano passado

No Dia Mundial do Saúde Mental, o destaque vai, precisamente, para a valência de Visita Domiciliária do Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar do Médio Tejo, que se iniciou em 2016. No primeiro ano foram realizadas 502 visitas domiciliárias, em 2017 houve lugar a 912 e até Junho de 2018 ficaram contabilizadas 539, num aumento de 30% na abrangência desta nova resposta. Constituída por uma equipa multidisciplinar – que engloba um psiquiatra, um enfermeira, uma assistente social e motorista – é realizada dois dias por semana. Esta valência permite uma avaliação do estado psicopatológico do utente, ajudando a detetar precocemente, caso haja, dificuldade na adesão medicamentosa e uma atuação multidisciplinar pós-alta. Permite também a prevenção de recaídas e reinternamentos dos utentes, assegurando a adesão terapêutica, monitorizando o estado do utente e as condições sociais do mesmo.

Esta equipa multidisciplinar faz a sua atuação segundo o processo de recovery, pois a doença mental não é apenas o recuperar da própria doença. A visita domiciliária do Serviço de Psiquiatria tem como objetivo capacitar a pessoa de assumir responsabilidade pela própria vida, inclui a gestão do bem-estar, do autocuidado, da medicação, da autonomia relativamente às próprias escolhas de vida, da responsabilidade pelas próprias ações, e da disposição para assumir riscos. Implica determinar o curso da própria vida, com o apoio e orientação dos profissionais de saúde. Tendo em conta esta premissa, a Visita Domiciliaria vai muito além do administrar a medicação prescrita e da avaliação psicopatológica, pois tem por base dar empowerment ao doente, ou seja, capacitá-lo para tomar decisões e exercer controlo sobre a sua vida pessoal.

Para que a pessoa, portadora de doença mental grave, possa ter a vida sob o seu controle, terá de conhecer o desconhecido, os sintomas da doença e/ou os efeitos secundários da medicação. Nestas visitas, uma intervenção fulcral é a psicoeducação sobre os mais variados temas (doença, sintomas, medicação, efeitos secundários da medicação, benefícios da atividade física, alimentação). A equipa da valência de visita domiciliária também faz a ponte com os vários parceiros na comunidade (Centros de Dia, Universidade Sénior…), tendo como objetivo a emancipação do utente, redução do estigma e a melhoria da competência social individual. Desde 2016 que a visita domiciliária do Serviço de Psiquiatria abrange os concelhos de Abrantes, Torres Novas, Tomar, Ourém, Alcanena e Entroncamento.