MAÇÃO – Câmara em balanço do efeito devastador da tempestade ‘Kristin’. 52 pessoas ficaram sem condições para continuar em casa. «A vida regressa… não como gostaríamos mas como conseguimos»

A Câmara de Mação recorreu às redes sociais para realizar um ponto de situação sobre a «passagem devastadora» da tempestade Kristin, agora que se completa uma semana após o sucedido. «O concelho começa, devagar, a respirar de novo. A vida regressa, não como gostaríamos, mas como conseguimos. Não é ainda a normalidade plena, é a normalidade possível, construída com sacrifício, coragem e uma enorme capacidade de resistir», começa por referir esse mesmo texto. «Sabemos que, não obstante termos centenas de casas atingidas, com maior ou menor grau de destruição, há Concelhos que sofreram um grau de devastação muito superior ao nosso – alguns aqui nossos vizinhos – outros mais longe. A nossa mais profunda solidariedade para todos, particularmente para todas as pessoas que estão a viver situações muito, muito difíceis», acrescenta a autarquia. Eis o comunicado, na íntegra:
INFRAESTRUTURAS – Há uma semana todas as estradas, particularmente na zona centro/norte do Concelho de Mação tinham árvores, postes e detritos vários. Hoje, todas as estradas do concelho estão desobstruídas. Quase todas as casas já têm eletricidade (99,9%) e todas têm água. São sinais importantes de recuperação, que nos dão ânimo. Mas sabemos que ainda há muito por fazer. Em algumas aldeias, a eletricidade continua ainda a ser assegurada por geradores, mas tudo indica que até ao final desta quarta-feira, 4 de fevereiro 2026, essa situação estará resolvida. Em muitas freguesias e localidades persistem falhas nas comunicações e continuam a existir marcas profundas da tempestade nas ruas, nos equipamentos e, sobretudo, nas casas das pessoas. A única forma de comunicar nos primeiros dias foi com a rede de comunicações da Câmara Municipal. E aqui é de salientar que foi recentemente que a Câmara Municipal de Mação atribuiu rádios de comunicação às Juntas de Freguesia. Foram fundamentais nestes dias, quando não existiam outros meios. Foram também removidas árvores caídas em cemitérios, algumas sobre campas — momentos difíceis, que tocaram fundo em muitas famílias – mas que também revelaram respeito, cuidado e humanidade. Foram atingidos e danificados os cemitérios de Mação, Santos, Envendos, Carvoeiro, Amêndoa e Cardigos, que foram encerrados. Nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, a Câmara Municipal de Mação recebeu lonas que conseguiu num verdadeiro esforço de entreajuda, através do Sub-Comando da Proteção Civil, em parceria com outras Câmaras, algumas também afetadas, mas solidárias. Desde ontem, terça-feira, 19 militares do RAME – Regimento de Apoio Militar e Emergência de Abrantes, estão no terreno em duas frentes fundamentais, divididos em três equipas:
– A ajudar a proteger casas com telhados destruídos, colocando lonas e telhas (2 equipas acompanhadas por técnicos da Câmara);
– A limpar ruas e espaços públicos (1 equipa acompanhada por técnicos da Câmara).
Hoje continuamos no terreno com o apoio do Exército, especialmente na reparação de telhados de primeira habitação, porque ninguém deve ficar desprotegido. A gestão das lonas está a ser feita através das Juntas de Freguesia, a quem o Presidente da Câmara Municipal solicitou apoiou na gestão e entrega das mesmas, numa primeira fase – mais urgente – para casas de primeira habitação e depois para outras situações. As empresas de Comunicações e a E-Redes também estão no terreno a tentar recuperar todos estes serviços e têm sido incansáveis. O nosso respeito aos homens e mulheres que ali têm passado dias e dias em condições muito adversas. Há algumas empresas e muitas Associações que têm estragos consideráveis, há Associações totalmente devastadas.
AÇÃO SOCIAL – No concelho de Mação há 52 pessoas que ficaram sem condições para ficar na sua casa. São 41 habitações que não oferecem as condições mínimas de habitabilidade. Estas pessoas estão deslocadas ou mesmo desalojadas. As deslocadas encontram-se em casas de familiares ou em anexos/garagens com condições razoáveis. As pessoas desalojadas estão em IPSS’s, casas cedidas por populares ou também em anexos com essas condições. Estas 41 habitações são “só” as que implicaram a retirada dos seus habitantes. Há dezenas de casas de primeira habitação afetadas, mas com condições para ser habitadas, muitas porque os donos, familiares e amigos conseguiram resolver ou atenuar os problemas. Depois, falamos de mais umas dezenas de casas de segunda habitação, muitos barracões e anexos. São centenas de casas e pessoas afetadas. Referir que, no meio da desgraça, foram detetadas situações sociais complicadas, frágeis, algumas que nem eram conhecidas. Referir que ainda há três pessoas a ter acompanhamento psicológico por se encontrarem mais fragilizadas. A Escola de Cardigos foi, à imagem da freguesia, a que sofreu danos estruturais cuja resolução está a ser providenciada. Nas IPSS do concelho, a eletricidade já chegou e começa a estabilizar. Após a tempestade, e ao perceber a dimensão dos estragos, a Câmara Municipal de Mação assegurou a ligação de geradores em todas as IPSS do concelho localizadas nas zonas que se encontravam sem fornecimento elétrico, garantindo assim a continuidade dos cuidados e dos serviços essenciais. Os geradores já foram, entretanto, retirados. As equipas da Ação Social compostas por Técnicos do Serviço de Ação Social do Município com o apoio do CLDS5G Mação e Radar Social, junto com técnicos de outros serviço da Câmara Municipal e das Juntas de Freguesia, têm feito um trabalho incansável, silencioso e extraordinário, identificando necessidades, apoiando quem mais precisa, batendo porta a porta quando é preciso. Nada do que tem sido feito teria sido possível sem o empenho incansável da Proteção Civil Municipal, das Juntas de Freguesia e dos seus Presidentes, da GNR, dos Bombeiros de Mação, e dos que nos vieram ajudar, das equipas de sapadores da Aflomacão, das empresas privadas e de todos os que, dia e noite, estiveram no terreno ao serviço da população. Este foi, e continua a ser, um esforço coletivo.
NECESSIDADES/APOIOS – Não há carência de suprimento das necessidades básicas das pessoas neste momento. Temos tido a capacidade de resposta, com meios da Câmara, das Juntas e de algumas empresas. O Presidente da Câmara Municipal de Mação e Vereadores têm recebido contactos no sentido de trazer ajuda para Mação e a resposta tem sido precisamente a de que ajudem quem está bem mais necessitado, nomeadamente alguns concelhos vizinhos. Após a recuperação dos telhados e das casas provavelmente teremos algumas necessidades, de ajudar a repor bens que se estragaram. A seu tempo, e identificadas as necessidades, daremos eco das mesmas! Agradecemos a atenção! Os estragos são grandes. Muito grandes. Em equipamentos municipais, em empresas, em associações e em muitas casas onde vivem histórias, memórias e vidas inteiras. Mas também é grande a força deste concelho. A força das pessoas, da entreajuda, da solidariedade que se sente nas aldeias, nas ruas, nos gestos simples.
RECOLHA DE DADOS – Após a identificação das necessidades reais e a procura de uma resposta para as mesmas, começámos a fazer o levantamento dos estragos da Tempestade Kristin. Trata-se de um levantamento que visa a recolha de dados sobre quem foi afetado. Ainda não temos informação oficial sobre os apoios, mas com estes dados teremos uma informação completa sobre as necessidades que o nosso Concelho tem. Apelamos a todas as associações, empresários e particulares que sofreram prejuízos que preencham os questionários de levantamento de danos, disponíveis nas Juntas de Freguesia, na Câmara Municipal e online, aqui: https://forms.gle/uTKpd9RksBfpPR6F6 Não se trata ainda de uma candidatura a apoios, mas é um passo essencial para conhecermos a dimensão real do que foi perdido e para prepararmos o futuro. Ontem, 3 de fevereiro 2026, a CCDR-LVT já avançou com informação que numa primeira fase assenta no trabalho que os Municípios devem fazer – tal como já estamos a fazer – a recolha de informação sobre os danos registados. Tem como objetivo “garantir uma avaliação dos danos registados, permitindo apoiar os municípios e assegurar uma resposta adequada às necessidades das populações e dos territórios afetados”, explicou a CCDR-LVT. Depois de receberem a informação dos prejuízos verificados pelos munícipes, os municípios submetem as informações através de um formulário próprio. O Presidente da Câmara Municipal, acompanhado pelos Vereadores, têm estado permanentemente no terreno — a ouvir, a sentir, a perceber as dificuldades que ainda persistem. Estamos atentos, próximos e totalmente empenhados em garantir que todos os apoios possíveis cheguem a Mação. Aos poucos, muito devagar, a normalidade regressa. E essa normalidade não vem sozinha. Constrói-se com pessoas. Constrói-se com coragem. Construímo-la juntos. Mação vai conseguir. Como sempre conseguiu».










