FERREIRA DO ZÊZERE – Município deixa apelo: «Que o mapa não nos esqueça quando mais precisamos de ser encontrados»

A Câmara de Ferreira do Zêzere recorreu às redes sociais para publicar um texto sentido, onde aborda este período difícil de reação à passagem da tempestade Kristin. A publicação valoriza toda uma comunidade que continua o seu dia-a-dia apesar das dificuldades e lamenta, por outro lado, que na altura em que os ferreirenses mais necessitam de ajuda, eis que o território «deixa de fazer parte do mapa». Fica, aqui, na íntegra, este texto do Município de Ferreira do Zêzere: «Ferreira do Zêzere é muitas vezes apresentada como uma pérola a descobrir. Tecem-se elogios ao rio que refresca nos dias mais quentes, aos trilhos cujo silêncio esmaga o ruído e à serra que acolhe quando o descanso é preciso. Destino de verão, somos presença assídua nos guias. Até que deixamos de ser. Ser uma vila no centro do país tem desafios assim. Quando o sol não nasce e o frio se impõe, quando os trilhos estão interrompidos pelos troncos tolhidos e quando a paz dá lugar ao caos, Ferreira do Zêzere desaparece. Deixamos de ser presença assídua. Deixamos de ser parte do mapa e, não sendo, não há quem saiba como nos encontrar. Ficam os de cá e os que já decoraram o caminho. Ficamos entregues ao crer da nossa gente, à força de quem nunca saiu e à solidariedade de quem não se esqueceu de nós.

Depois da tempestade vem a bonança, dizem-nos. Talvez venha. Quando os dias voltarem a ser mais longos, e o azul e verde pintarem a paisagem, o rio voltará a chamar, os trilhos a prometer silêncio e a serra a oferecer abrigo. Mas entre um momento e outro há um tempo que ninguém vê. Um tempo de casas feridas, de corpos cansados e de noites doridas. É desse tempo invisível que este texto nasce. Não como lamento, mas como afirmação. Ferreira do Zêzere não desaparece quando deixa de ser vista. Continua aqui. Vive e resiste quando os ventos viram e a intempérie se impõe. Mas resistir no silêncio não pode ser a única resposta. Por isso, o que pedimos é simples: que o mapa não nos esqueça quando mais precisamos de ser encontrados.

Fotografia: Sylvie Lopes e Pedro Mourinha









