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Feira do Livro na Levada foi um sucesso

A escolha da antiga sala dos Lagares d’El Rei, na Levada, agora praticamente recuperada como todo o antigo complexo industrial, foi uma aposta ganha para a realização da Feira do Livro de Tomar. Público e autores foram unânimes a elogiar o espaço que, talvez por isso mesmo, se prestou a um conjunto de sessões memoráveis, de que o feedback posterior nas redes sociais fala por si.

O certame foi inaugurado no dia 27, pela presidente da Câmara, Anabela Freitas, que salientou como a decisão de o realizar ali era uma forma de começar a devolver à população a fruição daquele espaço. Numa organização do Município de Tomar em parceria com a Livraria e Papelaria Nova, a Feira de 2015 foi de facto a mais participada de sempre. E a primeira enchente ocorreu logo na primeira noite, com a apresentação de “Geometria do fogo”, o novo livro de poesia de Alberto Riogrande.

No primeiro fim-de-semana, foi a vez de por ali passarem várias personalidades bem conhecidas a nível nacional. Primeiro, Rita Castanheira Alves, “A psicóloga dos miúdos”, que ali mesmo deu algumas ajudas às dúvidas parentais apresentadas pelo público. Depois, o escritor Miguel Miranda, que falou do seu mais recente livro de contos, “A fome do licantropo e outras histórias”. A presença de Inês Pedrosa foi um dos momentos mais emotivos do certame. Natural de Tomar, a escritora fora a primeira convidada deste ciclo da Feira do Livro, em 2009, e o primeiro autor de renome nacional a estar presente pela segunda vez. Recordando com saudade a sua meninice na cidade, falou também sobre o seu romance mais recente, “Desamparo”.

Na segunda semana, a Feira acolheu um encontro de autores tomarenses, muito participado e de que surgiram importantes pistas de trabalho para o futuro. Seguiu-se a apresentação do livro “Tu + eu”, de Carina Ascenso Francisco, uma jovem escritora. Repentinamente elevada aos píncaros, devido à sua página no facebook, Rita Leston veio falar-nos do livro que daí nasceu, “Gosto de ti, e então?”.

E, no derradeiro fim-de-semana, mais um conjunto de personalidades de áreas diversas, bem conhecidas do público. Mário Beja Santos apresentou o seu livro “De freguês a consumidor”, uma história da sociedade de consumo e da defesa do consumidor, com uma extraordinária conversa na canícula da tarde de sábado. À noite, em vez das notícias, Clara de Sousa trouxe a sua simpatia contagiante e as suas experiências na cozinha, não só em livro, mas também na forma de bolachinhas para que todos pudessem provar (e foram muitos…). E por fim, no domingo, claro e incisivo, Gustavo Santos, autor de “O caminho – As 16 lições de vida que aprendi com a minha avó”, não deixou ninguém indiferente com as suas palavras.

De registar ainda os excelentes momentos musicais que foram acontecendo em todas estas sessões, sensibilizando os autores que aqui se deslocaram e afirmaram sentir-se como se estivessem em casa, momentos musicais protagonizados pelos dois agrupamentos de escolas (Nuno de Santa Maria com a Tuna Sabes Cantar, e Templários com alguns dos participantes no seu festival da canção), pela Canto Firme e pela Sociedade Gualdim Pais.

Também no decurso da Feira foi lançada e distribuída gratuitamente uma edição da autarquia de uma banda desenhada para os mais novos, no âmbito da Festa Templária, sobre Gualdim Pais, mestre da Ordem, que em 1160 começou a construção do castelo de Tomar e é, por isso mesmo, considerado o fundador da cidade.