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CHAMUSCA – Reunião de emergência junta operadores de tratamento e transportes de resíduos do Eco Parque do Relvão

Os constrangimentos e problemáticas na circulação rodoviária com destino ao Eco Parque do Relvão, na freguesia da Carregueira (Chamusca), e a necessidade urgente da conclusão do IC3/A13 foi o tema da reunião de emergência realizada a 23 de março, no cineteatro da Chamusca, que reuniu autarcas, os membros do Observatório Nacional dos CIRVER, da Comissão de Acompanhamento do Eco Parque Relvão, associações de produtores agrícolas e florestais e empresários que operam no nosso território. O desenvolvimento da região da Lezíria do Tejo e Médio Tejo, que abrange 24 municípios e uma população de cerca de 467 mil habitantes, tem sido conseguido através de um grande esforço do poder local que tem tentado contrariar a tendência de desertificação do interior do país com a atração de empresas e indústrias de elevado valor acrescentado. Ambas as regiões são responsáveis por 15% da riqueza criada no Centro e Alentejo, representando mais de 45 mil empresas e mais de 100 mil trabalhadores.

Apesar do esforço dos agentes locais, a região da Lezíria e do Médio Tejo depara-se com barreiras inultrapassáveis, que requerem uma resposta de âmbito nacional. A atração de investimento produtivo, que deve ser considerado um desígnio nacional é consistentemente bloqueado pela realidade infraestrutural da região, nomeadamente a sul do Tejo pela ausência de uma ligação ferroviária e rodoviária eficaz, em que a conclusão do troço do IC3/A13 que permitirá ligar V.N. Barquinha a Almeirim, tem sido identificada em vários documentos como uma prioridade em termos de investimentos infraestruturais no país. Recorde-se que o lanço do IC3/A13 V.N. Barquinha – Chamusca – Almeirim, foi uma promessa para a população da região aquando da instalação dos CIRVER, em 2007, numa área de influência direta que abrange os concelhos de V. N. Barquinha e Entroncamento (Médio Tejo) e Golegã, Chamusca, Alpiarça e Almeirim (Lezíria do Tejo).

A necessidade da conclusão deste troço possui implicações que vão além da acessibilidade e mobilidade, e que foram realçadas por ocasião do anúncio da sua execução (2007), nomeadamente o incentivo ao desenvolvimento económico e territorial (novas indústrias, melhoria do escoamento de mercadorias, redução de custos para empresas e comunidade), assim como de redução de riscos e de impactos ambientais. No que respeita ao ambiente, destaca-se a presença no território do concelho da Chamusca de importantíssimas infraestruturas de tratamento de resíduos do país, nomeadamente os dois únicos CIRVER – Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos a nível nacional, quatro unidades de tratamento e eliminação de resíduos hospitalares, que servem todo o país, duas unidades de compostagem que resolvem inúmeros problemas ambientais, nomeadamente de lamas de ETAR, uma central de biomassa, resolvendo desta forma a questão dos subprodutos da limpeza da floresta em toda a região centro, duas unidades de regeneração de óleos usados, para além do sistema de eliminação de resíduos industriais banais e do sistema de recolha, tratamento, triagem e eliminação de resíduos sólidos urbanos que neste momento serve 16 concelhos da região. Estas unidades implicam a movimentação constante de veículos pesados, que face à inexistência de melhores acessibilidades, acaba por se efetuar dentro de povoações.

Importa referir que os acidentes ocorrem com alguma frequência, quer nas estradas nacionais quer nas estradas municipais, de que são exemplo derrames de lamas de ETAR, espalhamento de material hospitalar cirúrgico proveniente dos vários hospitais centrais a nível nacional, acidentes rodoviários com capotamento de viaturas de transporte de resíduos industriais perigosos líquidos, na zona de Ulme, junto à ribeira que irriga todos os campos de arroz do concelho e que desagua no Tejo, podendo criar um acidente ambiental incomensurável. Para além destes acidentes, registaram-se também desastres com resíduos industriais perigosos, nomeadamente explosivos, numa das instalações CIRVER, criando um clima de insegurança nas populações, que temem pela sua segurança, bem-estar e saúde. Mas, o impacto desta obra não se esgota nos territórios, acima descritos, existindo fortes implicações para a região da Lezíria e do Médio Tejo. Neste sentido, através do Município da Chamusca e da Associação Eco Parque do Relvão foram realizados vários estudos de tráfego para caracterizar o impacto do trânsito pesado no território da Chamusca e na sua população, e com forte impacto nas empresas que operam na região, devido aos constrangimentos sentidos na Ponte João Isidro dos Reis ou ponte da Chamusca, que não permite o cruzamento de duas viaturas pesadas.

“A ponte da Chamusca é um dos principais constrangimentos com que nos deparamos diariamente no nosso concelho, que por não permitir o cruzamento de duas viaturas pesadas de mercadorias, condiciona o trânsito, em ambos os sentidos, durante largas horas, formando filas intermináveis de espera, que se tornam um pesadelo para quem tem de as enfrentar regularmente”, salienta Paulo Queimado, presidente da Câmara da Chamusca, sublinhando que este problema coloca muitas vezes a vida humana em risco, pela possibilidade de falta de assistência médica”. Em média, mais de mil veículos pesados de mercadorias atravessam diariamente a ponte da Chamusca com destino à Resitejo e ao Eco Parque do Relvão, deixando para trás um cheiro nauseabundo e o receio de que, um dia, possa haver um acidente grave, com resíduos tóxicos. Para além de que “o transporte em grandes quantidades de resíduos, sejam eles perigosos ou não, provoca grandes constrangimentos na população do concelho”, salienta.

Desta reunião, resultou uma carta enviada ao primeiro-ministro, António Costa, na qual é solicitada a célere conclusão do IC3/A13 por parte do Governo e dos respetivos Ministérios, sob pena de ficar comprometido o investimento e desenvolvimento industrial e social da região, de que é exemplo o cluster de gestão de resíduos da Chamusca ou a rede de simbioses industriais da região da Lezíria e Médio Tejo, o escoamento de produto e receção de matérias primas, o transito intermodal, o desenvolvimento de projetos de desenvolvimento no âmbito agrícola e florestal, entre outros projetos de desenvolvimento económico de valor acrescido, orçados em vários milhões de euros.