ATUALIDADE – Coronavírus. Comissão Técnica recomenda «vacinação urgente e prioritária, com dose...

ATUALIDADE – Coronavírus. Comissão Técnica recomenda «vacinação urgente e prioritária, com dose de reforço, (…) das pessoas com 40 ou mais anos de idade»

A Comissão Técnica de Vacinação contra a covid-19 recomenda «a vacinação urgente e prioritária, com dose de reforço, (…) das pessoas com 40 ou mais anos de idade, por faixas etárias decrescentes», refere um parecer que foi tornado público pela Direção-Geral da Saúde. A mesma recomendação é dirigida á faixa etária dos 18 aos 39 anos e pelo menos uma das comorbilidades. Eis o Sumário Executivo, por parte da DGS:

«A administração da dose de reforço aos grupos definidos nesta estratégia teve início a 11 de outubro de 2021, tendo-se alcançado, a 15 de dezembro 2021, uma cobertura vacinal de 85% nas pessoas com idade igual ou superior a 80 anos e de 79% entre os 70 e 79 anos de idade; Em Portugal, o número de novas notificações de infeção por SARS-CoV-2 encontra-se em fase ascendente desde a primeira semana de outubro de 2021, consequência de um valor do Rt continuamente acima de 1; À data de 15 de dezembro de 2021, os maiores de 40 anos representavam 94,5% e 93,4% do total de doentes enfermaria e UCI, respetivamente; Nesta fase, é premente manter a maximização da vacinação das pessoas definidas na estratégia de reforço vacinal e estender a vacinação com doses de reforço a quem mais dela puder beneficiar; Os estudos de efetividade vacinal (EV) são unânimes em mostrar que as vacinas protegem contra doença grave e morte e que, essa proteção, é razoavelmente estável ao longo do tempo; Contudo, a EV contra doença grave e morte pode diminuir ao longo do tempo, tendo em conta a idade e a presença de múltiplas comorbilidades; O risco de morte por COVID-19 aumenta com a idade de forma muito evidente, sendo que o grupo das pessoas com 85 ou mais anos de idade tem um risco de morrer por COVID-19 10 vezes superior ao grupo dos 18-39 anos; O Inquérito Serológico Nacional COVID-19, que se realizou no período de 28 de setembro a 19 de novembro de 2021, permitiu estimar uma seroprevalência de anticorpos contra o SARS-CoV-2 em 86,4 %, na população portuguesa. O título mais elevado de IgG (anti-S) foi observado no grupo de indivíduos sem infeção prévia vacinados com 3 doses de vacina contra a COVID-19; Nas últimas semanas tem-se verificado um agravamento da situação epidemiológica em Portugal com aumento da incidência e das hospitalizações, incluindo em UCI. Este agravamento reflete um aumento do número de novos casos em crianças dos 6-11 anos e de adultos até aos 70 anos, não sendo verificado acima desta idade, provavelmente, pela evolução da cobertura vacinal com dose de reforço nestas faixas etárias. A recente identificação da VOC Ómicron, possuidora de um elevado número de mutações no gene da proteína da espícula, com possível ligação a uma maior transmissão e redução da efetividade das vacinas, veio aumentar a urgência para o cumprimento do plano de vacinação e a extensão dos reforços especialmente aos grupos de risco para a doença mais grave; A variante Ómicron apresenta transmissão comunitária em Portugal e pode tornar-se, rapidamente, a variante dominante em circulação. A diminuição da capacidade de neutralização desta VOC em pessoas vacinadas ou infetadas, bem como a diminuição da efetividade das vacinas poderá conduzir a um aumento de infeções (breakthrough infections). Contudo, não existe evidência da perda de efetividade das vacinas contra a COVID-19 contra a doença grave, hospitalização e morte, em pessoas infetadas com Ómicron; Os dados preliminares de efetividade vacinal mostram uma proteção baixa do esquema vacinal primário contra infeção sintomática por esta variante, que tem o potencial de ser restabelecido após a administração de uma dose de reforço. Apesar de ainda não serem conhecidos dados sobre a gravidade clínica da COVID-19 por Ómicron nem a capacidade de proteção do esquema vacinal primário / reforço contra a doença grave causada por esta variante, considera-se que as vacinas mantêm proteção contra doença grave, mesmo para a variante Ómicron. Estão planeados desenvolvimentos de vacinas contra novas variantes, incluindo a variante Ómicron, mas não é esperada a sua aprovação pela EMA antes do final do primeiro trimestre de 2022. Assim, o cenário de crescimento epidémico antecipado com o surgimento da variante Ómicron justifica a adaptação da Estratégia de Reforço Vacinal contra a COVID-19, integrando uma estratégia de proteção e controlo, com prioridade para as pessoas mais vulneráveis, também em linha com as recomendações do ECDC. Os estudos publicados até à data mostram consistentemente que a idade é o principal fator prognóstico na COVID-19, sobretudo acima dos 40-50 anos. Para idades inferiores, a presença de comorbilidades parece ser o preditor para a COVID-19 grave, hospitalização e morte por COVID-19. É expectável que a administração de uma dose de reforço às pessoas com 40 ou mais anos de idade, priorizando os mais velhos, às pessoas com comorbilidades e aos profissionais de saúde, como recomendado pelo ECDC no seu documento de 24 de novembro, diminua a previsível pressão sobre os serviços de saúde associada à antecipada propagação da VOC Ómicron. A vacinação das pessoas com 40 ou mais anos de idade permite abranger a maioria (cerca de 94%) das pessoas atualmente hospitalizadas por COVID-19. Continua em avaliação o sinal de segurança sobre miocardites e pericardites com vacinas de mRNA, verificando-se uma maior incidência de miocardites e pericardites associadas à vacinação contra a COVID-19 na população jovem, nomeadamente com menos de 40 anos. Os dados e a evidência disponíveis indicam um claro benefício da vacinação contra a COVID-19 com dose de reforço para as pessoas com 40 ou mais anos de idade e das pessoas com 18 aos 39 anos com comorbilidades, pelo que a vacinação destas pessoas é fortemente recomendada, no atual contexto epidemiológico. Com a vacinação destes grupos assegura-se uma proteção reforçada para as idades que, atualmente, compreendem cerca de 94% dos hospitalizados. Os dados e a evidência disponíveis são mais incertos relativamente à magnitude do benefício com a vacinação das pessoas com menos de 40 anos sem comorbilidades, especialmente por não ser possível antecipar o impacto da vacinação destas faixas etárias na evolução da situação epidemiológica com predominância da variante Ómicron. De facto, a vacinação destas pessoas pode apenas vir a ocorrer num período de menor gravidade epidemiológica. Contudo, numa estratégia de Saúde Pública de maximização das medidas que podem contribuir para o controlo da incidência, é defensável a vacinação também destas pessoas».